24.5.12

ASSOCIAÇÃO DOS DEFICIENTES VISUAIS

    No dia 6 de agosto de 2010, no Bairro Pedreirinha, em Três de Maio, foi fundada a Associação dos Deficientes Visuais e Amigos Nova Vida de Três de Maio – ASDEVI, com a participação de membros da comunidade, representantes de entidades, autoridades públicas, servidores do Município e estudantes da Faculdade de Psicologia da Sociedade Educacional Três de Maio – SETREM. Os movimentos da Entidade foram inclusive objeto de estudos e trabalhos acadêmicos. Trata-se de um marco importante para a história de Nossa Cidade, pois, além de revelar a existência de um movimento comunitário e social organizado de relevante interesse público, sinaliza a pertinência de políticas públicas de valorização, saúde, assistência e inclusão social para uma parcela da população historicamente alvo de processos de exclusão e marginalização.
   A importância do movimento comunitário como expressão fundamental do saudável exercício da cidadania democrática e republicana já foi destacada neste espaço. A Entidade, além de congregar pessoas que são portadoras de deficiência visual, admite a participação de qualquer pessoa da sociedade de Três de Maio e região, revelando-se como ação afirmativa de um movimento importante de reconhecimento da realidade das pessoas com necessidades especiais. Reza o Estatuto da Entidade: “Artigo 3º. A ASDEVI, além dos princípios e normas legais e constitucionais aplicáveis, rege-se pelos princípios comunitário, da vida e dignidade humana, da solidariedade, da equidade, da adesão voluntária, da participação efetiva, da gestão democrática, da autonomia e independência, da filantropia, da educação e informação, da tolerância e da inclusão, além dos valores republicanos e democráticos do Brasil. Artigo 4º. São os seguintes os fins da ASDEVI: a) promover gratuitamente a educação, a saúde e a assistência social, além da defesa de todos os direitos individuais e sociais, das pessoas portadoras de deficiência visual; b) promover ações e prestar serviços, gratuitamente, ressalvadas contribuições de custeio, devidamente discutidas e aprovadas em assembleia, relacionados com a atenção às necessidades das pessoas portadoras de deficiência visual; c) elaborar, promover e apoiar estratégias e ações comprometidas com o atendimento às necessidades de desenvolvimento e aprimoramento pessoal, cultural, educacional, profissional, psicológico, moral, econômico e social das pessoas portadoras de deficiência visual, visando a sua aplicação prática em larga escala; d) contribuir para o estabelecimento e efetivação de políticas públicas e de programas governamentais nos níveis federal, estadual e municipal, visando a garantir a universalidade e a qualidade da atenção às pessoas portadoras de deficiência visual, na perspectiva de concretizar os direitos e as oportunidades de acesso aos direitos necessários ao seu desenvolvimento humano e social; e) promover o estabelecimento de intercâmbios, a produção de pesquisas e publicações, bem como a realização de eventos, reuniões, círculos de estudos, conferências, debates, cursos, palestras, seminários e outras atividades afins, visando a divulgação de resultados observados nos seus projetos, a troca de informações e a construção e difusão de conhecimentos sobre as questões relativas às pessoas portadoras de deficiência visual; (…) h) funcionar como grupo de convivência para as pessoas portadoras de deficiência visual, combatendo todas as formas de exclusão familiar, cultural, econômica, política e social em relação a tais pessoas.”
     Com quase dois anos de pleno funcionamento, a Entidade tem propiciado espaço de convivência e de reafirmação das singularidades das pessoas portadoras de cegueira. Muito mais do que um reconhecimento de limitações sociais inerentes à condição de pessoas não videntes, os movimentos desse novo território criado em Três de Maio têm demonstrado que as pessoas cegas são capazes de exercer plenamente sua cidadania, em paridade com os demais membros da sociedade, ocupando espaços e usufruindo de oportunidades, indicando que os portadores de deficiência visual, longe de pretenderem o tradicional e benevolente reconhecimento social de sua limitação física, querem ocupar efetivamente os espaços sociais de convivência, afirmando, por suas iniciativas no sentido de ultrapassarem suas limitações, uma identidade que é não mais do que diferente de uma maioria não portadora de cegueira. Afirmando a diferença cega como inerente também à dignidade humana, é notável o crescimento dessas pessoas, a partir da criação e funcionamento do Grupo de Convivência, valendo a pena conferir de perto o ânimo, o otimismo e a determinação de seus integrantes, verdadeiros exemplos de superação que ocorrem bem aqui em Nossa Cidade de Três de Maio.