12.1.12

VOCAÇÃO

     Janeiro, época de vestibular, momentos tensos e difíceis para milhares de jovens. Muitos, recém-aprovados no ensino médio, já tiveram que fazer a opção por um curso de graduação, uma faculdade, uma profissão a seguir. É uma escolha difícil, especialmente para quem está no prelúdio da vida, na imensa maioria dos casos, sem experiência alguma em qualquer das possibilidades acadêmicas e profissionais que se vislumbram. Valem informações e conselhos dos pais, amigos, professores, profissionais conhecidos. É possível pesquisar a respeito das profissões na internet. Enfim, o jovem precisará contar também com boa dose de intuição para decidir qual curso de graduação pretende realizar.
      Grosso modo, é possível observar os cursos de graduação, e consequentemente as profissões resultantes, em três grandes grupos: o das “ciências exatas”, com esteio predominante na matemática e na física, englobando cursos como as engenharias; o das “ciências biológicas”, que abarcam as profissões ligadas à saúde, ao estudo da vida; e o das “ciências humanas”, aí incluídos cursos como comunicação social, letras e ciências jurídicas e sociais. Diz-se grosso modo, porque, em verdade, no campo das ciências ou conhecimentos aplicados, que se traduzem nos diversos cursos de graduação, há sempre componentes de outros ramos que são parte da formação acadêmica, como é o caso da medicina, que abrange conhecimentos de farmacologia; da psicologia, que abrange conhecimentos da medicina e da sociologia; da comunicação social e da arquitetura, que abrangem conhecimentos de história e geografia; do direito, que abrange conhecimentos de antropologia e ciência política. Acrescente-se a isso o fato de que, no mundo atual, e cada vez mais doravante, tendem as especialidades a se multiplicarem, mas, ao mesmo tempo, a tornarem-se multidisciplinares, isto é, com possibilidade de trânsito em outras esferas do conhecimento correlatas às necessidades impostas aos profissionais pelo mercado de trabalho. Vivemos uma época em que os conhecimentos e as habilidades que caracterizam as profissões não são estanques, necessitando-se cada vez mais de aptidão para se inserir no processo produtivo de forma conectada e pró-ativa com outros ramos do conhecimento ou com outras profissões.
      Todavia, é certo que são insuficientes esses referenciais genéricos, no escopo de solver a angústia própria de quem tem que tomar a primeira ou uma das primeiras grandes decisões na vida: escolher uma profissão. Por outro lado, é certo também – principalmente para os mais jovens, egressos recentes do ensino médio – que o eventual desacerto na opção de curso não é motivo para perda de motivação ou abandono dos propósitos de vida. Primeiramente, porque nenhum conhecimento adquirido é perdido. Na vida, todo saber é de alguma forma aproveitado. Depois, porque sempre é tempo de recomeçar a caminhada, buscando fazer corresponder a opção de curso de graduação universitária com as mais íntimas tendências e vontades de cada um. Todos nós temos um papel a desempenhar na vida em sociedade. Parte disso é a profissão que vamos exercer. E para que resulte exitosa, para nós e para os outros, nossa passagem pela vida, encontrar a nossa verdadeira vocação é uma questão essencial, pois é através do trabalho que estabelecemos um dos esteios fundamentais de nossa existência, de nossa relação com o mundo, de nossa identidade nas relações com as demais pessoas. Nosso “valor” é, em grande parte, medido pela nossa aptidão para o trabalho.