5.1.12

PRESSÁGIOS

      Novo ano. 2012 chegou. E é bom que, antes de março, antes do fim do Carnaval, comecemos a viver essa nova etapa. O futuro é hoje, dizem. E não estão completamente errados. Presságios não faltam, com direito a previsões de fim do mundo e tudo. Mas para quem não leva muita fé no armagedon previsto para dezembro de 2012, calha pisar firme no chão desde logo, renovando sonhos e vontades, chamando a si a feitura do destino, ao menos na parte que compete a cada um de nós. Os desígnios de Deus existem, ao menos para quem acredita no Ordenador Supremo do Universo. Mas é certo que Ele destinou todos os homens a agirem também conforme seu livre arbítrio, projetando no futuro as pegadas de hoje e do passado.
      Podemos nos reinventar a cada dia. Há sempre a chance de refazer e de se refazer. Enquanto houver vida, o limite terreno para a reconstrução humana não terá sido alcançado. E isso sim, com certeza, é de exclusiva deliberação Divina. Diz nosso Livro Sagrado que Deus só nos dá a cruz que podemos carregar. E os mais experientes na vida podem confirmar a assertiva. Todos têm seus fardos, menos pesados, mais pesados. Por vezes parecem insuperáveis as dificuldades que se apresentam. Mas o tempo se encarrega de demonstrar que se trouxemos o peso até aqui é porque podemos e devemos dar mais um passo adiante. Um passo depois do outro. Mas adiante. O rumo pode parecer incerto, mas no fundo sabemos, por intuição que seja, o lugar mais certo, ou menos errado, da próxima passada. Teremos sempre a possibilidade de escolher um caminho, ainda que as dificuldades da vida pareçam obstáculos ao movimento em direção ao futuro. Se estamos vivos, é porque devemos seguir adiante, com a chance diária de reconstruir tudo, recomeçar tudo, a chance de reinventar a vida.
      É certo que vamos arcar com os erros do passado. Poucas verdades são tão pertinentes quanto aquela ditada pelo senso comum: aqui se faz, aqui se paga. Mas, mesmo com um saldo devedor maior ou menor, continuaremos o caminho do aprimoramento e da busca do acerto. É conveniente exercitar a leitura do livro de nossas vidas, para que não repitamos os erros passados. Aqueles que, por mais consumados, não impedem a caminhada. Convém lançar boas sementes, ainda que o solo não seja tão fértil, pois a qualidade melhor ou pior dos insumos da vida é parte de nosso desafio de viver conforme a realidade. Enfrentamos os desafios do dia a dia com as ferramentas de que dispomos. E embora por vezes pareçam insuficientes os instrumentos aos nossos propósitos, é certo que herdamos também a capacidade de criar soluções. Criamos ferramentas, criamos manejos para as mais diversas e adversas situações. Sempre haverá uma chance para exercitarmos o bem, para vivermos pelo bem. Mesmo que não dependa somente de nós, nossa retidão, nosso bom senso, nosso melhor agir prevalecerá.
      Fazer o bem a si e aos outros, tanto quanto e vice-versa, parece mesmo um bom indicativo de rumo. Dá para dizer até que a nossa felicidade depende do quanto somos capazes de fazer feliz nosso próximo. Não nos enganemos. Não é de bens, títulos ou poderes que se compõem nossos momentos felizes. Eles são feitos de sensações que recolhemos das pessoas com quem ombreamos a vida. A felicidade é feita de coisas simples, coisas abstratas, fugidias. Coisas que decorrem de nossa relação com nosso semelhante. O melhor presságio para o novo ano é a nossa caminhada persistente, a passos mais ou menos largos, mas imbuídos do melhor propósito, firmes na fé depositada em nossos sonhos de uma vida e de um futuro melhor para nós e para todos.